MGI apresenta resultados do CNU em evento sobre inovação no serviço público
Debate promovido pela Enap reuniu representantes do ministério para discutir impactos, alcance nacional e modelo de seleção do Concurso Nacional Unificado
O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos
(MGI) apresentou resultados e informações sobre a primeira edição do CNU
durante o encontro “GNpapo com as vencedoras”, promovido pela Escola Nacional
de Administração Pública (Enap).
O evento debateu impactos, alcance e aprendizados
relacionados ao modelo de seleção adotado pelo governo federal.
O CNU, desenvolvido pelo MGI, foi reconhecido no 29º
Concurso Inovação no Setor Público, na categoria Processos Organizacionais no
Poder Executivo.
Durante o encontro, representantes do ministério defenderam
que o modelo modificou a lógica tradicional dos concursos públicos federais e
ampliou o acesso de candidatos de diferentes regiões do país.
Secretário do MGI cita mudança no modelo tradicional de
concursos
O secretário de Gestão de Pessoas do MGI, José Celso Cardoso,
afirmou que o CNU surgiu em meio à necessidade de recomposição da força de
trabalho do Executivo Federal após anos de redução nos quadros de servidores.
Segundo ele, o modelo tradicional de concursos apresentava
limitações operacionais. “O modelo tradicional de concurso se mostrou muito
disfuncional, muito anacrônico, depois do advento do CNU”, declarou.
Cardoso afirmou que três fatores contribuíram para a
retomada dos concursos no Executivo Federal: a perda da memória institucional
dos órgãos, as limitações orçamentárias e a possibilidade de realizar seleções
em formato unificado.
De acordo com o secretário, o modelo permitiu ampliar o
alcance territorial do concurso. “Nós tivemos pessoas inscritas no concurso de
5.555 municípios do Brasil, ou seja, praticamente todos os municípios tiveram
pelo menos uma pessoa inscrita no concurso”, disse.
Ainda segundo o representante do ministério, a proposta
também buscou ampliar a escala das seleções e aperfeiçoar a definição das vagas
prioritárias no serviço público federal.
Aplicação das provas em 228 cidades foi destacada pelo
ministério
A diretora de Provimento e Movimentação de Pessoas do MGI, Maria
Aparecida Chagas Ferreira, afirmou que a aplicação das provas em 228 cidades
foi um dos principais diferenciais do modelo.
Segundo ela, o objetivo foi ampliar o acesso de candidatos
de diferentes regiões do país aos concursos públicos federais. “Talvez o
principal objetivo fosse trazer o Brasil para Brasília e dar oportunidades para
que todas as pessoas do país pudessem disputar um cargo público”, afirmou.
A diretora também declarou que o formato unificado permitiu
ampliar a aplicação das políticas de cotas nos concursos públicos. “Quando você
junta as vagas, você tem uma maior chance de executar e implementar a lei de
cotas em concurso público, algo que os concursos tradicionais também ficaram
devendo e muito, sobretudo para as pessoas negras”, disse.
MGI apresenta dados sobre cotas e inclusão no CNU
Durante o evento, o ministério informou que 25% das
aprovações no CNU foram de pessoas negras.
O MGI também destacou a reserva de 30% das vagas da Fundação
Nacional dos Povos Indígenas (Funai) para candidatos indígenas.
Além disso, segundo o ministério, o percentual de pessoas
com deficiência aprovadas no certame chegou a 7%, acima da reserva mínima de
5%.
O debate também abordou os impactos da aplicação
regionalizada das provas para candidatos que vivem fora das capitais e grandes
centros urbanos.
Aprovada relata impacto da realização das provas próximas
à residência
A engenheira Cíntia de Souza Freitas, aprovada para o cargo
de Analista de Infraestrutura, afirmou que antes do CNU enfrentava limitações
financeiras e logísticas para participar de concursos públicos.
Moradora de Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, ela
relatou que normalmente realizava provas apenas em sua cidade ou no Rio de
Janeiro, devido aos custos de deslocamento.
Segundo a candidata, um dos diferenciais do modelo foi a
possibilidade de realizar a prova perto de casa. “A quantidade de vagas, além
do conforto emocional, físico e financeiro de poder fazer a prova perto da sua
residência”, afirmou.
Ela também destacou a possibilidade de disputar diferentes
cargos dentro da mesma seleção. “Embora o meu cargo tivesse muitas vagas, eu
pude me inscrever em 13 cargos no total”, relatou.
