Concurso CGU: associação critica oferta de 60 vagas e cobra edital para técnicos
ASCGU afirma que quantitativo autorizado não recompõe o quadro de servidores da Controladoria-Geral da União e questiona ausência de vagas para Técnico Federal de Finanças e Controle
A autorização do novo concurso da Controladoria-Geral da
União (CGU) gerou críticas por parte da Associação dos Servidores da
Controladoria-Geral da União (ASCGU).
A entidade considera insuficiente a oferta de 60 vagas para
o cargo de Auditor Federal de Finanças e Controle (AFFC) e voltou a defender a
realização de concurso público para o cargo de Técnico Federal de Finanças e
Controle (TFFC).
O posicionamento foi divulgado pela associação em
publicações nas redes sociais após a autorização oficial do certame pelo
Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI). Segundo a ASCGU,
o quantitativo autorizado não é suficiente para atender às necessidades atuais
do órgão nem para recompor adequadamente o quadro de pessoal da instituição.
O concurso da CGU foi autorizado por meio da Portaria MGI nº
5.093/2026, publicada em 22 de junho, contemplando exclusivamente 60 vagas para
Auditor Federal de Finanças e Controle, cargo de nível superior.
CURSO | CONTROLADORIA GERAL DA UNIÃO (CGU) | AUDITOR FEDERAL DE FINANÇAS E CONTROLE [AFFC]
ASCGU aponta déficit de servidores na Controladoria
De acordo com a associação, a CGU enfrenta um cenário de
déficit significativo de pessoal.
Nas manifestações divulgadas, a entidade afirma que o órgão
acumula mais de 3 mil cargos vagos e opera com uma força de trabalho abaixo da
prevista para o desempenho das atividades de auditoria, controle interno,
fiscalização e combate à corrupção.
A ASCGU sustenta que a autorização de apenas 60 vagas
representa um avanço, mas não resolve o problema estrutural enfrentado pela
carreira de Finanças e Controle.
A entidade também destaca que a Controladoria perdeu
aproximadamente 25% de sua força de trabalho na última década, defendendo uma
política permanente de recomposição de servidores.
Em uma das publicações, a associação afirmou:
“Enquanto o Ministro anuncia 60 vagas, a CGU perdeu 25% do
quadro na última década. É preciso reestruturação real. A necessidade da CGU
ultrapassa 1500 novos servidores. E a ASCGU, tendo em vista a importância e
relevância para o fortalecimento da Carreira e da CGU, pergunta: Onde estão as
vagas para Técnicos de Finanças e Controle?”
Entidade cobra concurso para Técnico Federal de Finanças
e Controle
Outro ponto destacado pela associação é a ausência de vagas
para o cargo de Técnico Federal de Finanças e Controle no concurso autorizado.
Segundo a ASCGU, atualmente existem apenas 242 técnicos em
atividade na Controladoria, número considerado insuficiente diante das demandas
do órgão.
A entidade chegou a classificar a situação como um “apagão
técnico”, argumentando que a carreira vem sendo gradualmente reduzida ao longo
dos últimos anos.
Além disso, a associação questiona o fato de o Governo
Federal ter autorizado vagas exclusivamente para auditor, apesar de a própria
CGU ter solicitado a abertura de concurso para ambas as carreiras.
Para a ASCGU, a recomposição do quadro funcional da
instituição depende não apenas da contratação de auditores, mas também da
reposição dos técnicos, considerados essenciais para o funcionamento das
atividades administrativas e operacionais da Controladoria.
Pedido da CGU previa mais vagas para o concurso
A autorização concedida pelo governo atende apenas
parcialmente à solicitação encaminhada pela CGU ao Ministério da Gestão e da
Inovação em Serviços Públicos (MGI).
Em maio de 2025, o órgão havia solicitado autorização para o
provimento de 500 vagas, sendo 470 destinadas ao cargo de Auditor Federal de
Finanças e Controle e outras 30 para Técnico Federal de Finanças e Controle.
No entanto, a autorização publicada em junho de 2026
contemplou apenas 60 vagas para auditor, deixando de fora o cargo técnico,
situação que motivou as críticas da associação.
Concurso CGU poderá ter até 120 nomeações
Embora a autorização inicial contemple 60 vagas, existe a
possibilidade de ampliação das nomeações durante a validade do concurso.
A própria Portaria MGI nº 5.093/2026 prevê a possibilidade
de provimento adicional de até 100% do quantitativo autorizado, desde que haja
disponibilidade orçamentária e nova autorização governamental.
Caso esse mecanismo seja utilizado integralmente, o concurso
poderá alcançar até 120 nomeações para o cargo de Auditor Federal de Finanças e
Controle.
Agora, a CGU deverá iniciar os procedimentos internos para
realização do certame, incluindo a formação da comissão organizadora e a
contratação da banca examinadora.
Distribuição das vagas autorizadas
As 60 vagas previstas na autorização serão distribuídas da
seguinte forma:
- Ampla
concorrência: 39 vagas;
- Pessoas
negras: 15 vagas;
- Pessoas
com deficiência: 3 vagas;
- Indígenas:
2 vagas;
- Quilombolas:
1 vaga.
Quando o edital do concurso CGU deve ser publicado?
A Portaria MGI nº 5.093/2026 estabelece prazo máximo de seis
meses para a publicação do edital, contado a partir da data da autorização.
Com isso, o documento deverá ser divulgado até dezembro de
2026.
A norma também determina que haja intervalo mínimo de dois
meses entre a publicação do edital e a realização da primeira etapa de provas.
Na prática, caso o cronograma seja utilizado até o limite
permitido, as provas poderão ocorrer a partir de fevereiro de 2027.
Salários dos cargos da CGU
Em novembro de 2024, foi firmado acordo entre a CGU e o
Ministério da Gestão para a reestruturação das carreiras do órgão.
Com a atualização remuneratória, os vencimentos passaram a
ser os seguintes:
Auditor Federal de Finanças e Controle
- R$
18.033,52 em janeiro de 2025;
- R$
20.000,00 a partir de abril de 2026.
Além disso, a remuneração inicial atualmente prevista para o
cargo é de R$ 20.924,80.
Técnico Federal de Finanças e Controle
- R$
7.453,62 em janeiro de 2025;
- R$
8.300,00 a partir de abril de 2026.
Relembre como foi o último concurso CGU
O último concurso da Controladoria-Geral da União foi
realizado em 2021, sob organização da Fundação Getulio Vargas (FGV).
Na ocasião, foram ofertadas 375 vagas para cargos de níveis
médio e superior, distribuídas entre 300 oportunidades para Auditor Federal de
Finanças e Controle e 75 para Técnico Federal de Finanças e Controle.
O processo seletivo contou com provas objetivas e
discursivas, além de procedimentos de heteroidentificação e perícia médica para
candidatos concorrentes às vagas reservadas.
As avaliações foram aplicadas em Brasília, Porto Alegre,
Recife, São Paulo e em todas as capitais da Região Norte: Rio Branco, Manaus,
Macapá, Belém, Porto Velho, Boa Vista e Palmas.
Para o cargo de técnico, a prova objetiva foi composta por
80 questões, sendo 30 de Conhecimentos Básicos e 50 de Conhecimentos
Específicos.
Já para auditor, a avaliação objetiva contou com 110
questões, valendo um ponto cada, totalizando 110 pontos.
O concurso permanece válido até este mês, após a prorrogação
do prazo de validade.
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