CNU 2025: fim do “sem bolinha” e edital único
De acordo com a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), Esther Dweck, a segunda edição do Concurso Nacional Unificado (CNU) contará com aprimoramentos baseados nas lições aprendidas na primeira realização do certame.
Um dos principais será a mudança na forma de preenchimento
dos itens de identificação do candidato nos cartões-reposta, como o tipo de
prova realizada, por um código de barras que identifica o
candidato. "Alguns candidatos tiveram problemas com as bolinhas de
identificação na primeira edição. Com o código de barras, cada prova será
vinculada automaticamente ao candidato, sem risco de confusão", explicou.
O novo sistema funcionará da seguinte forma: cada caderno de
questões virá com um código único, que identificará o candidato sem revelar
seus dados pessoais aos corretores. "Não é o nome ou número de inscrição,
mas a máquina consegue ler e garantir que aquela prova pertence àquela
pessoa", detalhou a ministra.
O recurso será importante em salas com provas de versões
diferentes, onde o embaralhamento de questões exige controle rigoroso.
A expectativa é que a tecnologia, já testada em outros
concursos, agilize também a correção e a divulgação de resultados. As
novas regras serão detalhadas no edital único do CNU 2.
"É uma evolução natural. Queremos que os candidatos se
preocupem apenas com o conteúdo da prova, não com formalidades
burocráticas", resumiu Dweck.
O edital também será unificado para todos os blocos
temáticos, diferentemente da primeira versão, que
teve oito documentos separados. "Vamos uniformizar as regras e
deixar tudo mais claro", afirmou Dweck.
As carreiras serão diferentes das anteriores, com inclusão
de duas novas carreiras transversais: Analista Técnico de Justiça e Defesa
(ATJD) e Analista Técnico de Desenvolvimento Socioeconômico (ATDS).
Esther Dweck anunciou as novidades em
entrevistas concedidas à imprensa e publicadas no último sábado,
29 de março.
Próximos passos
De acordo com a ministra da Gestão, o Termo de
Referência para a escolha da banca do CNU 2 deve ser lançado em abril, com
provas no segundo semestre de 2025.
A ministra reforçou que a ideia é tornar os concursos mais
frequentes. "Queremos vagas menores, mas recorrentes, para manter o
serviço público oxigenado", concluiu.
Dweck confirmou que não haverá uma terceira edição do Enem dos
Concursos Públicos em 2026. "Por ser ano de eleição, é muito mais difícil
realizar o concurso. Temos que homologar todos os resultados antes do início do
período eleitoral", esclareceu.
A medida está em conformidade com a legislação eleitoral,
que estabelece restrições a concursos públicos durante o período eleitoral para
prevenir influência política.
Por essa razão, o governo pretende realizar o CNU 2 ainda em
2025, com aplicação das provas no segundo semestre e homologação até junho de
2026.
"Nosso foco agora é fazer uma boa edição em 2025 para
que os aprovados possam tomar posse ainda no próximo ano. Para 2026, a previsão
é que não tenhamos concurso por causa das eleições", reforçou Dweck.
A ministra ressaltou que a pausa em 2026 não representa o
encerramento da iniciativa, mas sim um ajuste ao calendário eleitoral. "O
CPNU é uma política que veio para ficar", concluiu.
Balanço CNU 2024
De acordo com a ministra da Gestão, o primeiro Concurso
Nacional Unificado (CNU) cumpriu o objetivo
de democratizar o acesso ao serviço público, ampliando
a diversidade regional e a inclusão social na formação do quadro
de servidoras e servidores federais.
A análise de perfil dos aprovados, feita em
parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostrou
que 37% deles veio de cidades do interior, sendo 14% de municípios
com menos de 100 mil habitantes.
"Conseguimos atrair pessoas de 908 municípios para as
vagas imediatas e, no cadastro de reserva, temos pessoas de 1.400 cidades. Foi
um avanço importante na representatividade regional", afirmou Dweck.
O balanço mostra que 33% dos selecionados
ingressaram por meio de cotas para negros, indígenas e pessoas com
deficiência.
Em alguns blocos, como os de áreas
sociais (blocos 4,5 e 8), esse percentual chegou a 37%.
Essa diversidade e inclusão, ponderou a ministra, decorreu
das escolhas feitas na preparação do concurso, como as cotas para pessoas
negras, PCDs e indígenas (para cargos da Funai) e a aplicação da prova em 228
cidades e com 94% dos candidatos com acesso a locais a até 100 quilômetros da
sua residência. Por isso, adiantou, essa política será mantida na segunda
edição.
Sobre o perfil dos aprovados, o
balanço revela que a idade média foi de 34,8 anos, sendo mais baixa
(30,9 anos) entre os candidatos de nível médio.
Quase metade (48,6%) trabalhava no setor público em
2023, mas 60% tinham alguma experiência anterior na área, segundo dados
preliminares levantados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea),
parceiro do MGI na avaliação do CNU. "Isso mostra que o concurso
atraiu tanto servidores que buscavam mudar de carreira quanto pessoas que nunca
haviam atuado no governo federal", explicou Dweck.
Apesar de as mulheres representarem 52% dos inscritos,
apenas 41% dos aprovados foram do sexo feminino - percentual que cai para
apenas 8% em áreas como Tecnologia da Informação.
A ministra da Gestão demonstrou preocupação com os números:
"Quando analisamos os blocos separadamente, vemos uma distorção alarmante.
Enquanto nas carreiras sociais e educacionais as mulheres são 60% dos
aprovados, em TI esse número despenca. Isso reflete um problema estrutural que
começa nas escolhas profissionais e se perpetua nos concursos", disse.
Para o CNU 2, está prevista uma campanha específica voltada
às candidatas, com divulgação de histórias de servidoras bem-sucedidas.
"Queremos mostrar que o serviço público precisa e beneficia-se da
diversidade de perspectivas que as mulheres trazem", completou a
ministra.
O primeiro CNU custou R$ 144,4 milhões.
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