CNU 2: dados consolidados mostram perfil dos aprovados, distribuição regional e avanços na participação por cotas
Concurso Nacional Unificado 2025 aprova 3.649 candidatos de 578 municípios e amplia presença feminina e de grupos de ação afirmativa
O governo federal apresentou, em 17 de março de 2026, os
dados consolidados da segunda edição do Concurso Nacional Unificado (CNU 2).
As informações foram divulgadas durante coletiva de imprensa
conduzida pela ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther
Dweck, e detalham o perfil das pessoas aprovadas, a distribuição regional das
vagas, a participação de candidatos inscritos pelas políticas de ação
afirmativa e a evolução do modelo em relação à primeira edição do certame.
Coordenado pelo Ministério da Gestão e da Inovação em
Serviços Públicos (MGI) em parceria com a Escola Nacional de Administração
Pública (Enap), o concurso aprovou 3.649 pessoas, provenientes de 578
municípios de todos os estados brasileiros.
O certame integrou 32 órgãos e entidades do Poder
Executivo federal e ofertou 3.652 vagas para cargos de níveis médio
e superior.
Segundo os dados apresentados, 40,5% das pessoas
aprovadas se inscreveram por meio das políticas de cotas, destinadas a
pessoas negras, indígenas, quilombolas ou pessoas com deficiência.
O percentual é superior ao registrado na primeira edição do
concurso, quando 33,6% dos aprovados estavam vinculados às vagas
reservadas.
Durante a coletiva, Esther Dweck afirmou que o concurso
integra a agenda de reorganização administrativa conduzida pelo governo
federal. “Essa segunda edição consolida o CNU como uma política pública
inclusiva a partir da qual estamos construindo um serviço público com a cara do
Brasil”, declarou a ministra.
Também participaram da apresentação o secretário-executivo
do MGI, Cilair Abreu, a presidente da Escola Nacional de Administração Pública,
Betânia Lemos, e o coordenador-geral de logística do CNU, Alexandre Retamal.
CNU 2 reúne mais de 760 mil inscritos e mantém alcance
nacional
A segunda edição do Concurso Nacional Unificado registrou 761.545
pessoas inscritas, provenientes de 4.951 municípios brasileiros, o
que mantém o certame entre os maiores processos seletivos do país.
As provas foram aplicadas em 228 cidades, permitindo
que candidatos realizassem o exame em regiões próximas ao local de residência.
Entre os aprovados, houve pessoas que realizaram as provas em 196 dessas
cidades.
A taxa de ausência também foi monitorada durante o processo
seletivo. Os dados indicam que:
- 42%
dos candidatos faltaram à primeira prova
- 21%
não compareceram à segunda etapa
Na primeira edição do concurso, a taxa de abstenção havia
sido de 54%, índice superior ao registrado no CNU 2.
Entre os inscritos, 60% das candidaturas foram feitas por
mulheres, enquanto 33% concorreram por vagas reservadas às políticas de
ação afirmativa.
Distribuição regional dos aprovados no CNU 2
Os dados consolidados indicam que pessoas aprovadas no
concurso estão distribuídas por todas as regiões do país. A distribuição
regional dos aprovados foi a seguinte:
- Sudeste:
34,5%
- Nordeste:
29,3%
- Centro-Oeste:
25,3%
- Sul:
5,7%
- Norte:
5,2%
A participação de candidatos aprovados da região Nordeste
apresentou crescimento em comparação com a primeira edição do concurso.
No CNU 1, a região representava 26% dos aprovados,
percentual que passou para 29,3% na segunda edição.
De acordo com o governo federal, a possibilidade de realizar
as provas em cidades próximas ao local de residência contribui para ampliar a
participação de candidatos de diferentes regiões do país.
Perfil das pessoas aprovadas pelas políticas de cotas
Entre as pessoas aprovadas no CNU 2 por meio das políticas
de ação afirmativa, os dados apresentados apontam a seguinte distribuição:
- 29,7%
pessoas negras
- 2%
pessoas indígenas
- 1,2%
pessoas quilombolas
- 7,6%
pessoas com deficiência
Na primeira edição do concurso, os percentuais registrados
foram:
- Pessoas
negras: 24,5%
- Pessoas
com deficiência: 6,8%
- Pessoas
indígenas: 2,3%
- Pessoas
quilombolas: não mensurado
No conjunto geral, a participação de pessoas vinculadas às
políticas de cotas passou de 33,6% entre os aprovados no CNU 1 para 40,5% no
CNU 2.
Durante a coletiva, a ministra Esther Dweck comentou o
resultado. “A ideia era trazer para dentro do serviço público brasileiro
pessoas que representem toda a nossa diversidade, seja regional, seja
étnico-racial, seja de gênero, e a gente tem isso como um resultado. Essa
segunda edição continua nesse processo de aumentar a diversidade dentro do
serviço público brasileiro”, afirmou.
Participação feminina cresce entre inscritos e aprovados
Outro indicador apresentado no balanço do concurso refere-se
à participação feminina.
Entre as pessoas aprovadas, 48,4% são mulheres,
percentual superior ao registrado na primeira edição do concurso, quando 37%
dos aprovados eram do sexo feminino.
Entre os inscritos, a presença feminina também aumentou:
- CNU
1: 57% das inscrições
- CNU
2: 60% das inscrições
Os dados indicam crescimento tanto na participação nas
candidaturas quanto na aprovação das mulheres no processo seletivo.
Comparação entre as duas edições do Concurso Nacional
Unificado
Os dados apresentados pelo Ministério da Gestão permitem
comparar os principais indicadores das duas edições do Concurso Nacional
Unificado.
Número de inscritos
- CNU
1: 2.114.145 inscrições
- CNU
2: 761.545 inscrições
Número de vagas
- CNU
1: 6.640 vagas
- CNU
2: 3.652 vagas
Órgãos participantes
- CNU
1: 21 órgãos
- CNU
2: 32 órgãos
Participação feminina entre aprovados
- CNU
1: 37%
- CNU
2: 48,4%
Participação por cotas entre aprovados
- CNU
1: 33,6%
- CNU
2: 40,5%
Participação de pessoas negras entre inscritos
- CNU
1: 18,8%
- CNU
2: 27,7%
Participação por cotas entre inscritos
- CNU
1: 21,5%
- CNU
2: 33,1%
Municípios com candidatos inscritos
- CNU
1: 5.555 municípios
- CNU
2: 4.951 municípios
Segundo o governo federal, o aumento no número de órgãos
participantes indica ampliação da adesão institucional ao modelo de concurso
integrado.
Estrutura das vagas do CNU 2025
O Concurso Nacional Unificado 2025 ofertou 3.652 vagas,
distribuídas em nove blocos temáticos que agrupam áreas de atuação do serviço
público federal.
A divisão das vagas foi a seguinte:
- Bloco
1 – Seguridade Social: Saúde, Assistência Social e Previdência: 789
vagas
- Bloco
2 – Cultura e Educação: 130 vagas
- Bloco
3 – Ciências, Dados e Tecnologia: 212 vagas
- Bloco
4 – Engenharias e Arquitetura: 306 vagas
- Bloco
5 – Administração: 1.171 vagas
- Bloco
6 – Desenvolvimento Socioeconômico: 286 vagas
- Bloco
7 – Justiça e Defesa: 250 vagas
- Bloco
8 – Intermediário – Saúde: 168 vagas
- Bloco
9 – Intermediário – Regulação: 340 vagas
Os cargos ofertados abrangem níveis médio e superior de
escolaridade, com remunerações iniciais que podem chegar a R$ 17.726,42.
Cadastro de reserva e possibilidade de novas convocações
Além das vagas imediatas, o concurso também formou cadastro
de reserva. Segundo informações apresentadas durante o balanço oficial, 1.860
candidatos aprovados ainda podem ser convocados.
Esses candidatos correspondem às primeiras chamadas do
cadastro de reserva e da lista de espera. De acordo com a ministra Esther
Dweck, as novas convocações podem ocorrer para preencher vagas que ainda não
tiveram todos os provimentos efetivados.
O resultado definitivo da classificação final foi homologado
em 16 de março de 2026, após as três rodadas de confirmação de interesse
realizadas nas semanas anteriores.
As listas consolidadas contemplam candidatos habilitados
para:
- vagas
imediatas
- cadastro
de reserva
- lista
de espera
O resultado final pode ser consultado no site da Fundação
Getulio Vargas (FGV), banca organizadora do concurso, no endereço conhecimento.fgv.br/cpnu2.
A consulta individual também está disponível na área do candidato no portal da
instituição.
Próximas etapas após o resultado final
Com a divulgação do resultado definitivo, o processo
seletivo entra em uma nova fase administrativa.
Entre as etapas previstas estão:
Após 16 de março de 2026
- início
dos procedimentos para nomeação
- convocação
para investigação social e funcional, quando prevista
- defesa
de memorial
- prova
oral
- curso
de formação, conforme o cargo
17 de março a 24 de março de 2026
- prazo
para preenchimento da Ficha de Informações Pessoais (FIP) referente à
investigação social e funcional para o cargo de Analista Técnico de
Justiça e Defesa (ATJD)
6 a 10 de abril de 2026
- prazo
para envio da documentação relativa à defesa de memorial e à prova oral
Concursos e recomposição do quadro de servidores federais
Durante a coletiva, o Ministério da Gestão apresentou dados
sobre o ingresso de servidores no Executivo federal nos últimos anos.
Entre 2023 e março de 2026, 19.381 pessoas
ingressaram no serviço público federal por meio do CNU 1 e de outros
concursos públicos. No mesmo período, 16.546 servidores se aposentaram.
Para o período de 2026 a 2030, a estimativa é de 70
mil aposentadorias no serviço público federal.
Entre os concursos autorizados nesse intervalo estão vagas
destinadas a órgãos e carreiras estratégicas, incluindo:
- 2.050
vagas para o INSS e médicos peritos
- 1.097
vagas para analistas ambientais
- 855
vagas para auditores fiscais do trabalho
- 1.187
vagas para a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal
- 715
vagas para a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai)
- 883
vagas para agências reguladoras
Os concursos em andamento somam 5.649 vagas, sendo 3.649
no CNU 2 e 2 mil na Polícia Federal.
Medidas administrativas relacionadas à modernização da
gestão pública
O Concurso Nacional Unificado integra um conjunto de
iniciativas adotadas pelo governo federal desde 2023 voltadas à reorganização
da administração pública.
Segundo o Ministério da Gestão, mais de 50 medidas foram
implementadas nesse período em três áreas principais:
- gestão
de pessoas
- digitalização
de serviços públicos
- organização
institucional
Entre as iniciativas citadas estão:
- utilização
do Concurso Nacional Unificado e da Lei de Cotas como instrumentos de
inclusão
- ampliação
das carreiras transversais no serviço público federal, que passaram de
duas para oito
- aplicação
da metodologia de dimensionamento da força de trabalho em 96 órgãos
federais
- alongamento
das carreiras, com 86% delas passando a ter 20 níveis de progressão
- unificação
de 578 cargos em 11 estruturas de carreira
- transformação
ou extinção de quase 70 mil cargos considerados obsoletos
- ampliação
do sistema de avaliação de desempenho do Executivo federal (Sidec)
- recomposição
salarial com gasto com pessoal estável em 2,6% do PIB
Também integra esse conjunto o Projeto de Lei nº 5.874,
aprovado no Congresso Nacional e que aguarda sanção presidencial.
